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sábado, 25 de setembro de 2010

C de Cinema

Cito infinitas vezes o maior filósofo dos tempos modernos, Zé Piqueno. DÁDXÍNHU U CÁRÁLHU MÊÚ NÔMI ÁGÓRÁ É ZÉ PÍQUÊNU PÓRRÁ! Venero gangsters, assassinos em série, vilões e heróis. Aprendi a não conduzir o carro com um revólver na mão - especialmente quando a estrada tem lombas - com medo de balear o Marvin in the face. Sonhei em ter o meu próprio Clint Eastwood para me defender de uns conas armados em cowboys. Senti pena de Hitler quando assisti ao filme Hitler e o Fim do Terceiro Reich. E esta última frase sim, resume a força do Cinema.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Pensamentos de asfalto

- O sinal verde e o sinal amarelo são exactamente a mesma coisa.

- Nos bancos traseiros não existe airbag, há menos visibilidade e quem os usa normalmente vai a dormir e não leva cinto. Ou seja, parece-me um sítio favorável à prática da morte.

- Para mim todos os Fiat são Panda, desde que levem um gordo lá dentro.

- Quando me ultrapassam, viro logo no primeiro desvio que encontro. Não vá o gajo estar mais à frente parado, pronto a gozar comigo.

- Um tuning é um transformer metro-sexual.

- Sinto-me um inútil quando sou o primeiro da fila num semáforo vermelho, mas quando arranco sinto-me o numero uno.

- De manhã todas as curvas são apertadas.

- Não existem traços contínuos, a não ser que a polícia esteja por perto.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

O último dia da vida de Tommy Aldridge - 3ª Parte

Guardou a harmónica no bolso do casaco e poisou a garrafa no chão. Entretanto, Tommy continuava ajoelhado, sem se mexer num misto de repouso e espanto, como se o que acabara de ver, mas sobretudo ouvir, tivesse deixado num profundo estado de hipnose. O silêncio absoluto que tomava conta da sala foi interrompido por um daqueles ruídos metálicos que, em forma de arrepio, percorre a espinha. O homem de negro arrastava uma tampa semelhante às do esgoto, enquanto Tommy observava sem exprimir qualquer sinal de estar incomodado com aquela algazarra importuna. Colocou a tampa junto ao poço de luz com a clara intenção de o fechar.
- A tampa está ao contrário - disse Tommy, acordando do estado de homem estátua em que se encontrava.
- Hum ?
- A tampa - repetiu, apontando para a tampa. - Está ao contrário.
- Depende.
- Depende ?
- Sim, depende do ponto de vista.
- Do nosso está - disse Tommy.
- Não. Não está.
O buraco é fechado e a escuridão invade a sala.
Quem és ? - gritou Tommy para o vazio.
Ninguém responde. Ouviu-se passos e Tommy levantou-se, sem conseguir desvendar de onde vinham. Acendeu-se uma vela e logo a seguir outra. Aquele homem estranho percorria a sala, acendendo uma a uma, velas que Tommy não reparou estarem ali antes.
- Isso não é importante, o que interessa é o motivo da tua presença aqui. Lembras-te ?
- Não. Não consigo - disse Tommy esforçando mais uma vez a memória sem obter resultados enquanto acompanhava com o olhar aquele homem que caminhava à sua volta oferecendo luz à escuridão.
- Por favor Aldridge, morres atropelado e tens vergonha de contar ?
De repente pequenos extractos de imagens foram ocupando a memória de Tommy, a pouco e pouco tudo ficava mais organizado, e Tommy...lembrava-se de tudo.
- Lembro-me de tudo.
À sua volta haviam várias velas acesas, umas em cadeiras, outras em gargalos de garrafas de vidro, e outras simplesmente no chão. Um cheiro a cera queimada libertava-se no ar e isso, por alguma razão, acalmava Tommy.
O homem caminhou até ele, puxou uma cadeira e disse a Tommy para se sentar, e logo de seguida fez a mesma coisa, soltando um suspiro de cansaço enquanto se sentava. Tommy observou-o e reparou num relógio de ouro que tinha no pulso. Mas o relógio não tinha ponteiros e Tommy desconfiado de alguma partida da sua visão, susteve a respiração esperando ouvir o tic tac dos ponteiros, mas nada.
- Tenho uma proposta para ti Tommy - disse o homem de negro, acendendo um cigarro de seguida.
- Proposta ?
- Eu sei quem é a Alicia e também sei o quanto queres voltar para o lado dela. E eu, por tua sorte, consigo fazer com que isso aconteça. Só que odeio estar sozinho e neste momento és tu quem me faz companhia.
- Então e...
- Mas! - interrompeu o homem - Mas dá para dar a volta. É que por acaso também sei quem te matou e não me parece má companhia, mas sozinho não o consigo trazer - disse, cruzando as pernas de seguida enquanto dava um bafo no cigarro.
- Eu consigo ? - questionou Tommy, atento como uma criança a ouvir uma história de piratas e feiticeiros.
O homem de negro levantou-se e agarrou num ferro que estava ali perto. Prendeu o ferro numa abertura da tampa que agora fechava o buraco de luz, e com um movimento semelhante ao de uma alavanca, abriu novamente. O túnel de luz invadiu a sala.
Tommy levantou-se e andando lentamente o homem de negro veio para o seu lado. Chegou-se ao ouvido de Tommy e sussurrou:
- Tens que o matar Tommy. Vais voltar, mas tens que o matar - e empurrou Tommy para o poço de luz.



Esforçava-se para abrir os olhos, mas não conseguia. Tommy ouvia o típico zumbido de máquinas de hospital, e depressa percebeu onde estava. Estava vivo, e melhor que isso, conseguia sentir o cheiro de Alicia ao seu lado.
- Ali.. Alicia... - gemeu, tropeçando entre sílabas.
- Tommy! Estás bem! - disse Alicia, abraçando Tommy de seguida.
Tommy sentia a cara dela encostada à sua, queria beija-la mas não conseguia. Com o toque do nariz procurou o ouvido de Alicia, e tal como o homem de negro, Tommy sussurrou ao ouvido:
- Vendi a minha alma ao diabo.


Fim.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O último dia da vida de Tommy Aldridge - 2ªParte

Que sítio é este? Faz um esforço Tommy. Lembro-me de... de ter vindo até aqui? Não, não me lembro disto. Calma, sei que acordei e... e fui onde? Deve ser um sonho. Mas quando sonho nunca desconfio que estou a sonhar. ESTÁ AQUI ALGUÉM? Não consigo ouvir nada. Mas que merda é que... Quem é aquele? Que raio está a fazer? Calma Tommy. Calma.

A sala era redonda e aparentemente não existiam janelas nem portas, à primeira vista era simplesmente impossível entrar ou sair daquele lugar. Existiam cortinas vermelhas rasgadas que retiravam um pouco da monotonia do negro da parede e do chão, mas que ao mesmo tempo acentuavam o aspecto sinistro e misterioso. Haviam cadeiras espalhadas sem qualquer tipo de ordem ou organização, garrafas de vidro rolavam no chão e papéis esvoaçavam, mas Tommy não sentia qualquer brisa. De um buraco no centro da cúpula caía um raio de luz que, em forma de túnel, iluminava o centro da sala, onde estava alguém a fazer alguma coisa que Tommy não tinha bem a certeza o quê. Parecia dançar, mas o facto de não ouvir absolutamente nada iludia-lhe o raciocínio.
Quem é aquele?
A luz era pouca, Tommy afastava as cadeiras do seu caminho e, passo a passo entre vidros partidos, aproximava-se da pessoa. Ouviu um imenso zumbido, colocou as mãos nos ouvidos mas não surtiu efeito, aquele ruído, que a cada instante se tornava mais intenso, parecia que vinha de dentro da sua cabeça. Caminhava confuso, cambaleando entre as cadeiras. O ruído tornava-se insuportável. Entre a desordem de cadeiras tombadas, Tommy ajoelhou-se, fechou os olhos e soltou um grito de agonio.
Parou.
O ruído cessara. Ajoelhado, Aldridge abriu os olhos. Sentia-se mais consciente uma vez que recuperara a audição. Ouvia uma música. Esperançoso de que tudo não passara de um pesadelo, Aldridge retirou o olhar do chão levantando a cabeça.
Ainda cá estou.
A pouco mais de um palmo do seu nariz, estava o raio de luz em forma de túnel que agora Tommy reparava não vir de cima, mas de baixo, de um buraco no chão. E brincando entre a sombra e a luz estava o tal homem.
Era dali que nascia a música, daquele desconhecido que parecia estar em perfeita sintonia com aquele lugar. Vestia-se inteiramente de negro num tom uniforme em todas as peças, dando à elegância de um fato e de uma gravata, um lado obscuro. Usava um chapéu que ensombrava o rosto mas não escondia a harmónica que não descolava dos lábios, criando um som absolutamente limpo. Estava curvado, como se carregasse um saco de pedras às costas ou estivesse apenas à procura de algo naquele poço de luz que estava mesmo à frente de Tommy. Dançava de forma estranha, mas nunca ridícula, e com a ajuda dos pés e de uma garrafa de vidro com areia, ritmava a música perfeita.

Continua...

O último dia da vida de Tommy Aldridge

Na altura, Tommy Aldridge tinha 14 anos. Os seus pais eram irlandeses, e como tal, Tommy herdara toda a aparência típica da grande parte do povo das sardas e do cabelo ruivo. Porém, Tommy nunca visitara a terra mãe, e como tantos outros descendentes de irlandeses a morar nos Estados Unidos, a sua terra mãe era Boston. Sabia apontar a Irlanda no mapa e sabia as cores da bandeira; bastava para se sentir Irlandês.
Alicia tinha chegado à cidade com a família. Vinham de Cuba em busca do tão procurado sonho americano. A mãe arranjara trabalho como empregada doméstica, o pai ganhava em um mês nas obras o que não ganhava em Cuba durante um ano inteiro, e a menina Alicia foi parar à turma de Aldridge. Tommy ficara doido por Alicia, mas não desde o primeiro dia. No dia em que a menina foi apresentada à turma, Tommy desenhava bigodes que nem um louco em tudo o que era boneco no livro de história. Nos dois dias depois, fingiu uma má disposição. Foi então no quarto dia que Tommy reparou nela. A menina tinha cabelos negros e longos, a pele era morena tal como as mulheres das novelas que o pai de Aldridge via quando a mãe não estava por perto. Os seus olhos eram meio rasgados, mas não eram olhos de chinês, eram antes os olhos de Cleópra...Cleótra...Nunca conseguia pronunciar o nome. Alicia tinha os olhos da página 138, a única pessoa do livro de história que Tommy não fizera um dos seus famosos bigodes. Quando estava nas aulas, olhava para Alicia, quando estava em casa tirava o livro de história da mala e folheava até à página 138, onde se fixava até à hora da refeição. Cleópra... Nunca conseguia pronunciar o nome. Era bem mais fácil dizer Alicia; a menina cubana que parecia a rainha do Egipto.

E ali estava ele, 20 anos depois.
Deitado de costas no asfalto, apenas via o céu. As pessoas chegavam, e a pouco e pouco preenchiam o azul até restar somente um pontinho no centro de tantos rostos curiosos. Tommy Aldridge tornava-se num circo, atraindo um povo metediço que estava ali para contemplar a morte, o número mais audaz de todos. No centro da assistência, Tommy meditava sobre o quão ridículo era morrer atropelado.
Pensava que só os velhos é que morriam assim.
Sempre achou que teria alguma espécie de aviso antes de morrer, um sinal, um pressentimento qualquer.
Estou na merda.
Não havia nada a fazer.
Fechou os olhos e lembrou-se de Alicia. A mãe dos seus filhos. E foi aí que desejou que, fosse quem fosse que estivesse encarregue daquele negócio de tirar vidas, pensasse duas vezes e dissesse: Este cabrão merece uma segunda oportunidade.

Continua...

sábado, 4 de setembro de 2010

Dois meses é muito tempo

Já lá vão cerca dois meses sem meter nada por estes lados, portanto só quero mesmo dizer que gostos discutem-se sim. O Sergio Leone é Deus e o Clint Eastwood é Jesus. Se por acaso alguém discordar e quiser discutir isto, eu estou available, basta enviar SMS e trazer um colete à prova de balas. Sayonara.