Que sítio é este? Faz um esforço Tommy. Lembro-me de... de ter vindo até aqui? Não, não me lembro disto. Calma, sei que acordei e... e fui onde? Deve ser um sonho. Mas quando sonho nunca desconfio que estou a sonhar. ESTÁ AQUI ALGUÉM? Não consigo ouvir nada. Mas que merda é que... Quem é aquele? Que raio está a fazer? Calma Tommy. Calma.
A sala era redonda e aparentemente não existiam janelas nem portas, à primeira vista era simplesmente impossível entrar ou sair daquele lugar. Existiam cortinas vermelhas rasgadas que retiravam um pouco da monotonia do negro da parede e do chão, mas que ao mesmo tempo acentuavam o aspecto sinistro e misterioso. Haviam cadeiras espalhadas sem qualquer tipo de ordem ou organização, garrafas de vidro rolavam no chão e papéis esvoaçavam, mas Tommy não sentia qualquer brisa. De um buraco no centro da cúpula caía um raio de luz que, em forma de túnel, iluminava o centro da sala, onde estava alguém a fazer alguma coisa que Tommy não tinha bem a certeza o quê. Parecia dançar, mas o facto de não ouvir absolutamente nada iludia-lhe o raciocínio.
Quem é aquele?
A luz era pouca, Tommy afastava as cadeiras do seu caminho e, passo a passo entre vidros partidos, aproximava-se da pessoa. Ouviu um imenso zumbido, colocou as mãos nos ouvidos mas não surtiu efeito, aquele ruído, que a cada instante se tornava mais intenso, parecia que vinha de dentro da sua cabeça. Caminhava confuso, cambaleando entre as cadeiras. O ruído tornava-se insuportável. Entre a desordem de cadeiras tombadas, Tommy ajoelhou-se, fechou os olhos e soltou um grito de agonio.
Parou.
O ruído cessara. Ajoelhado, Aldridge abriu os olhos. Sentia-se mais consciente uma vez que recuperara a audição. Ouvia uma música. Esperançoso de que tudo não passara de um pesadelo, Aldridge retirou o olhar do chão levantando a cabeça.
Ainda cá estou.
A pouco mais de um palmo do seu nariz, estava o raio de luz em forma de túnel que agora Tommy reparava não vir de cima, mas de baixo, de um buraco no chão. E brincando entre a sombra e a luz estava o tal homem.
Era dali que nascia a música, daquele desconhecido que parecia estar em perfeita sintonia com aquele lugar. Vestia-se inteiramente de negro num tom uniforme em todas as peças, dando à elegância de um fato e de uma gravata, um lado obscuro. Usava um chapéu que ensombrava o rosto mas não escondia a harmónica que não descolava dos lábios, criando um som absolutamente limpo. Estava curvado, como se carregasse um saco de pedras às costas ou estivesse apenas à procura de algo naquele poço de luz que estava mesmo à frente de Tommy. Dançava de forma estranha, mas nunca ridícula, e com a ajuda dos pés e de uma garrafa de vidro com areia, ritmava a música perfeita.
Continua...
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