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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

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Cresci num ambiente de desconfiança doméstica quando me ensinaram a ter medo do papão, manipularam-me a mente e senti-me obrigado a espreitar debaixo da cama sempre que fosse dormir. Não era propriamente uma boa pessoa para os animais porque a minha música favorita ensinava-me a atirar um pau a um gato. Aceitei o facto que trabalho árduo não compensa quando fui avisado para não aceitar dinheiro de estranhos, mesmo que tivesse ajudado a velhota com os sacos das compras ou a atravessar a estrada.
Abriram os meus horizontes sexuais, quando me contaram a história de uma mulher e sete mineiros.
Vi pessoas de outros planetas que viviam no nosso Mundo a ficarem loiras quando atingiam uma força sobrenatural.
Partí pernas e braços quando saltei de alturas impossíveis com a esperança que uma teia saísse das minhas mãos. Ganhei marcas de guerra das inúmeras tentativas de voo com uma toalha de banho às costas e um S ao peito.
Consegui entender que os amigos às vezes também nos traem, quando inventaram um jogo que me obrigava a encostar a uma parede enquanto escapava a mísseis em forma de bola de futebol.
Aprendi a partir vidros e ensinei os meus pais a pagar.
Aprendi a perder tempo quando usava os dias para procurar criaturas que cabiam dentro de uma bola. Aprendi a pensar no momento porque jamais tive essa bola. Percebi que não se pode ter tudo quando nunca encontrei uma das tão desejadas criaturas.

Ensinaram-me a ter esperança, pois um dia destes, uma pessoa de cabelo em pé nascida em outro planeta, irá descer à terra e salvar-nos-á de um gordo que transforma as pessoas em chocolate.

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