Pára no sinal vermelho.
Alguém, no carro ao lado do seu, buzina. Ambrósio olha. Por detrás do vidro alguém estava escondido apenas mostrando uma coisa a Ambrósio: um punho fechado e um dedo do meio esticado.
Não precisou de pensar muito para saber quem era.
Carlito Maurice. Criador dos tão famosos, Mon Cherrys e arqui-inimigo de Ambrósio. Era ele que por detrás do vidro, criava aquele fantoche genital a partir da mão.
Ambrósio sai do carro com a mesma cara que tinha segundos antes de fazer a sua investida selvagem à menina. Abre o porta-bagagens, e tira um par de matracas. Fecha lentamente, olha para o céu e grita furiosamente. Corre para o carro de Carlito, quebra o vidro e puxa-o para fora. Ambrósio tinha acabado de se transformar numa verdadeira força da natureza.
Carlito estava a ser alvo de uma sucessão de golpes acrobáticos que nem nos filmes se viam, golpes de uma força absolutamente demolidora e de uma rapidez impossível de acompanhar.
Ouviu-se uma explosão. Era uma explosão sónica, e isto só queria dizer uma coisa… Ambrósio tinha ultrapassado a velocidade do som.
Começava a sentir-se fatigado, a força e a rapidez iam diminuindo cada vez mais até chegar ao esgotamento. Ambrósio pára e olha para Carlito, que dotado de uma grande resistência física, ainda estava consciente. Fitam-se mutuamente. Avançam um para o outro. Beijam-se.
- O destino é macabro. – diz Ambrósio. – Quem iria dizer, que depois de tudo, depois do ódio, da inveja, do rancor, da raiva, eu estaria aqui. Na tua casa, no teu quarto, na tua cama, contigo. Existe explicação?
Carlito olha para Ambrósio, acena com a cabeça e diz – O que está dentro dos meus Mon Cherrys não é licor. É amor.
Ambrósio solta um suspiro apaixonado, posa o seu rosto no peito de Carlito, e adormece.
Enquanto Carlito fazia um pequeno lanche Ambrósio contava-lhe sobre a relação amorosa que vivia – desde à muito tempo - com a Madame, mas que agora tudo tinha mudado e queria ser um homem diferente, mas não sabia como confrontar a Madame.
- Segue o teu coração Ambrósio. – diz Carlito.
Ambrósio sai a correr e conduz até ao palácio da Madame. Quando chega, é confrontado com um questionário que procurava encontrar resposta para o que tinha acontecido para a Madame ter sido obrigada a faltar ao seu treino de ténis. Ambrósio pede desculpas. A Madame diz que, quer que Ambrósio lhe leve a um sítio.
-Ambrósio apetecia-me tomar algo.
Ambrósio sabia perfeitamente que o que a Madame queria era possuir o seu corpo com todo o desejo que tinha dentro dela, como já tinha acontecido inúmeras vezes. Mas Ambrósio não era o mesmo, queria pôr um fim naquela relação para dar inicio a outra, que ele sentia que era verdadeira.
- Tomei a liberdade de pensar nisso senhora. – e oferece-lhe um Ferrero Rocher.
A partir daquele momento, Ambrósio sabia que era um homem diferente.
F i m
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