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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Também já tenho um blog! YEAAHHHH!!

Infelicidade, um amor não correspondido, uma situação profissional instável, múltiplas tentativas de suicídio…Tudo merdas que eu não tenho.
Não me vou apresentar porque as
gajaxx curtem de gajuxx misteriosos.
Não vou escrever diariamente, semanalmente, ou outra sequência temporal qualquer. Vou escrever quando quiser, porque eu faço o que me apetece.

A partir de hoje faço parte do vasto grupo de
blogistas que se sentam no café, de portátil em cima da mesa e escrevem. O povo afirma com toda a certeza que deve estar a escrever algo de interessante, o povo afirma, ele questiona-se. O café não é um qualquer, obrigatoriamente tem que ser um daqueles cafés pseudo-intelectuais. Porquê? Nem que seja porque ele o frequenta. Ele quem? O tal gordo barbudo que de uma em uma hora vê-se obrigado a reiniciar o computador como consequência dos infindáveis vírus informáticos que se camuflam entre outros infindáveis ficheiros pornográficos. Cumprimenta as amigas como se nunca as tivesse violado no seu imaginário sórdido. Faz turnos entre o olhar no computador e cada ser feminino que por ali entra, masturba-se mentalmente e está de volta ao ficheiro Word. Não se consegue concentrar no que estava a escrever porque a imagem de uma cena de sexo hardcore – plagiada de um de muitos ficheiros pornográficos em sua posse - entre a mulher que acabou de entrar e ele, não lhe sai da cabeça. As pernas tentam mover-se dali e a mente concorda com elas e diz-lhe para ir para casa, incentiva-o a dar uso ao novo lubrificante que comprou. Não sabe o que fazer e involuntariamente a vista penetra num decote que por ali parava. Aquece o pulso. Era mesmo o incentivo que precisava.
Posicionado num local estratégico para ser analisado por todos, encontra-se o decote. Sempre virada para a entrada à espera do seu príncipe encantado está a orgulhosa proprietária daquele hipnotizador. Vive entre dezenas de refeições ao dia e um banho semanal. Ingere cafeína como que se não houvesse amanhã, é o perfeito exemplo de que idade não é sinónimo de maturidade porque apesar dos seus mais de trinta anos continua a enviar os tão famosos
profile comments com frases de uma originalidade extraordinária como,“adrt buéx fofuh”. Ela repara que alguém caiu no seu hipnotizador.
Dezasseis anos e já fuma. É sinal de rebeldia – tal como a sua personalidade nómada de só ir a casa para comer - mas ele nega que seja essa a razão. Foca-se nos seios e, fazendo um puzzle mental ele coloca aquelas preciosidades no corpo da mãe do melhor amigo. Viaja até à realidade e continua a conversa sobre as calças que viu na loja e a “miúda que comeu” na noite anterior, porque o seu cérebro processa tudo da mesma forma…bens materiais.

Com sinal vermelho para quem tem menos de 50 anos – e não muito longe dali - encontra-se a brigada da artrite. Esse grupo que não fala mas sussura, não fica ali muito tempo que às cinco da tarde o jantar tem que estar pronto para o marido que é um mestre na arte da violência doméstica.

Ali também, outra geração confraterniza. Os homens bebem cerveja, as mulheres água com gás porque estão “com uma enxaqueca horrível”. Eles gabam-se dos seus dotes de condução e elas ouvem como que se realmente fosse algo de muito interessante observar uma matilha numa batalha para descobrir o machoalpha. Na verdade estão-se a cagar, querem é saber como é que vai ser quando aquela enxaqueca sair do corpo dentro de 6 meses em forma de bebé. Olham para baixo pensativas, eles olham para o lado vendo passar o grupo das caloiras que provocam ao andar. Um verdadeiro ritual de acasalamento.
Enquanto esta rotina se repete, o proprietário daquele magnifico estabelecimento limita-se a movimentar roboticamente desde o dia que o pai lhe herdou o café. Sonha em correr o Mundo, mas não pode, os produtos passam de prazo e o prejuízo instala-se.
Mas quem sou eu nesta sociedade que diariamente brinca ao faz-de-conta? Que vive numa sala vazia, com uma janela aberta, e que não sai com medo do que possa estar lá fora. Que estabelece limites para o conhecimento mas não para a ignorância. Que parou no tempo.
Eu? Eu sou o gajo que - com as calças de pijama por baixo das de ganga - entra para comprar tabaco e sai de seguida.

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